quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Rilke - Sonetos a Orfeu - II.7

Flores, enfim irmãs de mãos diligentes
(mãos de jovens de outrora e de agora),
na mesa do jardim caístes totalmente,
exaustas e feridas, pelos cantos afora,

à espera da água, que vos salve uma vez mais
da morte que já começava; para então,
de novo alçadas, entre os pólos vitais;
toque de sensíveis dedos que, com condão

benfazejo, mais do que possamos supor,
vos salvaram, quando na jarra esfriastes;
devagar como jovens a exalar calor,

qual confissões de pecados da adolescência
aos quais na febre da colheita, vos ligastes
de novo, aliados na florescência.

Tradução de Karlos Rischbieter com Paulo Garfunkel
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