segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tistu na Maré


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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Rilke - Sonetos a Orfeu - II.7

Flores, enfim irmãs de mãos diligentes
(mãos de jovens de outrora e de agora),
na mesa do jardim caístes totalmente,
exaustas e feridas, pelos cantos afora,

à espera da água, que vos salve uma vez mais
da morte que já começava; para então,
de novo alçadas, entre os pólos vitais;
toque de sensíveis dedos que, com condão

benfazejo, mais do que possamos supor,
vos salvaram, quando na jarra esfriastes;
devagar como jovens a exalar calor,

qual confissões de pecados da adolescência
aos quais na febre da colheita, vos ligastes
de novo, aliados na florescência.

Tradução de Karlos Rischbieter com Paulo Garfunkel
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Rilke - Sonetos a Orfeu - II.14

Olha as flores, fiéis às coisas da terra,
com quem dividimos nosso destino sem eira nem beira.
Quando fenecem choram o ciclo que se encerra;
mas cabe a nós o remorso, a dor derradeira.

Tudo quer pairar. Mas somos pesados;
pousamos em tudo, encantados com a nossa massa;
somos, para as coisas, mestres esfomeados,
pois desfrutam uma infância que não passa.

Se alguém as embalasse em sono profundo,
e, a elas se aninhando, adormecesse junto,
amanheceria leve e distante das coisas do mundo?

Ou, talvez, se ele ficasse; elas florariam em tudo,
a louvar o convertido. Ora também oriundo,
irmão das irmãs do vento, pelos prados de veludo.

Tradução Karlos Rischbieter com Paulo Garfunkel, Editora Record
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Sessão Retrato I em Casa de Rudson Costa - Tijuca, Rio de Janeiro


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domingo, 18 de outubro de 2009

Novo Blog

É com muita emoção que anuncio o nascimento do Blog da nossa trupe de teatro, a Trupiniquim, que va crescendo e crescendo, trazendo muita alegria no corpo do Muma, que sempre sonhou ser tudo isso aí...

Acompanhe nossos movimentos em trupiniquim.blogspot.com e venha nos prestigiar nas próximas apresentações!
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sábado, 17 de outubro de 2009

Teatro Trupiniquim: Kika Farias em Lendas e Fábulas dos Bichos de Nossa América


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Artistas em Destaque


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Teatro Trupiniquim nas Redes Comunitárias da Maré


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domingo, 11 de outubro de 2009

Subindo, subindo o litoral...

Mais umas fotos acompanhando o itinerário deste certeiro trovador errante.

Aqui trago umas imagens de uma Paraty húmida, um pouco cinza - além do branco e preto das fotos, claro - mas que me acolheu com carinho e magia. Fiquei só duas noites, mas deu para apreciar um prato de 'spaghetti ai frutti di mare' digno do melhor restaurante de Stintino, Sardegna; também foi o tempo suficiente para perceber que em Paraty tem livrarias tão interesantes refrescantes que nem parecem livrarias!




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sábado, 10 de outubro de 2009

São Luis do Paraitinga

Continuando este flash back através dos dias que se passaram desde aquela viagem para Minas, vamos agora fazer uma parada na maravilhosa cidade de São Luís do Paraitinga, entre Taubaté e Ubatuba, no estado de São Paulo.

Fui lá participar da minha primeira competição, dentro de um festival de compositores maravilhoso, dentro do mágico portal que foi a terceira Semana da Canção Brasileira. A experiência foi inesquecível, cheia de emoções, canções, shows e palestras muito enriquecedores. São Luís é um lugar muito especial, onde se respira muito intensa no ar uma paixão surpreendente pela música, pela arte da canção. A receptividade da cidade foi emocionante e o carinho e atenção da equipe de produção deixaram tudo mundo muito impressionado. Me senti em casa, rodeado por uma grande família onde cada pessoa está ligada à outra por um sutil fio vermelho que entrelaça musica, arte e carinho intensos.

Parabéns aos ganhadores do festival, Leo Cavalcanti, Karina Buhr e Aricia Mess, pelo talento, o amor ao som. Muito agradecido pela amizade dos outros participantes com um abraço especial às Memorias de um Caramujo, que com uma belísima e animada efervescência foram colorindo os dias do festival. Um grande abraço ao Matheus (cadê tu, meu amigo, afinal não peguei teu contato.. um dia nos cruzamos de novo, com certeza!!).

Levo tudo mundo no coração e cada vez que paro pra relembrar dos meus dias passados por lá não paro de sorrir pensando nos rostos sorridentes das pessoas que conheci deixaram um traço de luz em mim; entre estes rostos, tem dois em especial que precisam ser mencionados aqui: Lili e Moshe, dois terapeutas maravilhosos que me acompanharam, com o leve e sabio toque deles, através dos últimos dias do festival. Eles trabalham com acopuntura, Reiki e outras técnicas energeticas, são pessoas de uma extraordinaria sensibilidade e recomendo eles a todos, se forem passar por São Paulo ou também em São Luís (mas só segundas e terças, e previa confirmação); o site deles é corponamente.blogspot.com.

Bom, aqui em seguida vão umas fotos que tirei nos dias do festival (pra quem quiser ter uma melhor idéia do lugar e do que foi o impacto visual dos eventos de lá, recomendo o blog do festival, que tem fotos magnificas, fetias pelo Filipe, fotografo da produção!).

Para ver todas as fotos em formato grande podem sempre ir ao álbum: Festival 3a Semana da Canção Brasileira


















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Encontro Primavera Terra das Águas 2009

Vamos aos poucos retomando posse do terreno virtual... há um mes atrás, mais ou menos, fui para Minas Gerais re-encontrar com a minha Familia Cristalina, no Sitio do meu parceiro João Rio, na Serra da Canastra. A razão do encontro foi o lançãmento de livros de poesias, discos e outros filhotes artisticos.. também foi uma maravilhosa ocasião de (re)encontro com pessoas apaixonadamente dedicadas a estabelecer e manter uma conexão com a Mãe Terra, plantando, cantando e pesquisando caminhos alternativos de vida e arte.

Aqui vão algumas fotos que tirei nesses dias, tentando captar na lente da câmara o cheiro fantastico da canela de ema e da candeia ardendo no fogão a lenha.

Mando um grande abraço a todos os participantes do encontro, com as devidas saudades em anexo...

A coleção completa pode ser vista diretamente no meu álbum da web do Picasa: Encontro Primavera Terra das Águas 2009, em tamanho grande e tudo mais.




















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Fim de semana cheio de historias...

Apareçam no Laurinda, em Santa Teresa, hoje e amanhã, às 16hs, de graça.. historias para adultos e criançãs de todos os tamanhos, idades, sexos e religiões!!


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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Pelo amor

Meu professor abriu seu próprio peito, retirou seu coração e apanhou uma bela chama do coração. Então ele abriu meu peito, meu coração, e colocou aquela chama no interior. Colocou de volta meu coração em meu peito e, assim que isso aconteceu, senti um amor intenso, pois a chama que ele colocara dentro de mim era seu próprio amor.

Aquela chama ardeu em meu coração e tornou-se um grande fogo – um fogo que não queima, mas purifica tudo o que toca. E esse fogo tocou cada uma das células do meu corpo, e as células do meu corpo devolveram meu amor. Tornei-me uno com meu corpo, mas o meu amor cresceu ainda mais. Aquele fogo tocou cada emoção em minha mente e todas as emoções se transformaram num amor forte e intenso. E amei a mim mesmo, completa e incondicionalmente.

Mas o fogo continuou queimando e tive a necessidade de partilhar meu amor. Decidi colocar um pedaço desse amor em cada árvore, e as árvores devolveram meu amor e me tornei uno com as árvores. Mas o meu amor não parou, tornou a crescer. Coloquei um pouco de amor em cada flor, e elas me devolveram e nos tornamos uno. E o meu amor cresceu ainda mais, para amar a todos os animais do mundo. Eles responderam ao meu sentimento, e me amaram de volta e nos tornamos uno. Mas o meu amor continuou crescendo cada vez mais.

Coloquei um pedaço do meu amor em cada cristal, em cada pedra do chão, na terra, nos metais, e eles me amaram de volta e me tornei uno com a terra. Então resolvi colocar meu amor na água, nos oceanos, nos rios, na chuva e na neve. E eles também me amaram e nos tornamos uno. Ainda assim, meu amor cresceu mais e mais. Resolvi dar meu amor ao ar, ao vento. Senti uma forte comunhão com a terra, o vento, os oceanos, a natureza, e meu amor cresceu e cresceu.

Voltei minha cabeça em direção ao céu, ao sol e às estrelas, coloquei um pouco do amor em cada astro, e fui amado de volta. Tornei-me uno com eles, e ainda assim meu amor continuou crescendo e crescendo. Coloquei um pouco do meu amor em cada ser humano, e me tornei uno com toda a humanidade. Aonde quer que eu vá, quem quer que eu encontre, vejo a mim mesmo nos olhos deles, porque sou parte de tudo, por causa do amor.

Trecho da Oração pelo amor do livro de Don Miguel Ruiz Os Quatro Compromissos, O livro da Filosofia Tolteca, Editora Best Seller.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Por amor...

Muma: -"Claro, tudo seria por amor, ainda tens duvidas?"

Furico: -"Mmmh, duvído"

-"Pois é, do ouvido é que vem o assunto... é nele que aquela donzela que o Rilke sonhou nasceu, dormindo."

-"Oh Muma! ...Como pode alguém nascer dormindo?"

-"Em poucas coisas eu diria que tu te pareces a um poeta, meu caro Furico, mas nesta... verás: o Rilke teve a tua mesma sorpresa:

Dos "Sonetos a Orfeu"
Livro I, Soneto II

Y era una niña casi; nacio
de una felicidad conforme de canto y lira,
clara brillaba através de sus velos de primavera
y un lecho se hizo en mi propio oído.

Y ella durmió en mí y todo era su sueño.
Los arboles que admiré algún día,
la pradera sentida era sensible leganía
y todos los asombros que me conmovieron.

Ella durmió el mundo. ¿Cómo, o dios del canto,
la creaste, para que no anhelara primero
estar despierta? Mira, ella nació y durmió.

Su muerte, ¿dónde está? ¡Oh! ¿inventarás aún este
Tema antes que se consuma tu canto? ¿hacia dónde,
desde mí, se hundirá ella? ... Era una niña casi... "

-"Pois é".
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Mátria

Já está no ar meu trabalho em disco, fruto dos sons crecidos criados paridos nos meses destes ultimos dois anos... Eu queria era poder encontrar com todo mundo e festejar, celebrar para brindar muitas coisas gostosas que vão acontecendo por dentro, em volta e ao redor; mas este fim de semana fiquei dedicado por inteiro à produção do filhote. Tenho lembrado varias vezes a frase de um mestre querido: "minha maior divida é comigo mesmo"... perceber isso é que é bom, ainda mais cuando a divida com si próprio possibilita a realização de um presente para quem está em volta, para quem se ama tanto e se tem longe, ou perto, mas raras vezes tão perto cuanto se quer.

O trabalho traz a participação especialisima de Gibran Helayel na voz (autor de duas musicas no disco) e Lucio Amanti no violoncelo. Fico muitísimo grato a ambos, pois o disco ganhou muita força graças a eles!

Agora vou viajar para dar um belo passo no novo, deixo com vocês este cartazinho, prometendo não demorar para voltar e fazer aquele som e celebrar, celebrar, celebrar!
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Semana da Canção Brasileira

Confira os compositores classificados para participar da terceira edição da Semana da Canção Brasileira...

"La canción no se hizo para la escena y el libro no es el pretexto de la poesia, conforme un hijo nunca aparece antes del amor. Lo primero de todo es el misterioso corazón del fuego, el rayo incendiando la pradera; la espontánea pero lógica naturaleza misma, que no pone un árbol donde no hay simiente ni un río ni un sol ni una montaña sin antes preparar con señora paciencia la aparición de sus milagros.

Así empezó la canción siempre: como un milagro preparado por muchos más milagros, andado con el hombre, clasificándose, deliniándose con él, salvándose o perdiendose con él según él fuera." Silvio Rodríguez, da introdução ao disco Dias y Flores
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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Um toque de flor no seu celular...

Acessem o seguinte endereço m.myxer.com através do navegador do celular para baixar o ringtone "No mundo da flor"! Uma vez acessado o site é só digitar o código 3574 e em seguida o vosso numero de celular.. pronto: agora é só defnir o toque "No mundo da flor - Muma & SeuIdilio" como toque padrão no vosso aparelho e brotarão flores a cada ligação!
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Trupinquim no SESC Copacabana

So here's some pictures from the latest show by the theatre group I'm part of.. more news coming up soon..
















See all pics on Andre Pinnola's website
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sábado, 1 de agosto de 2009

don't sneeze


Get your own poster, mug or button at workforfood.nu
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Cool video by Oren Lavie


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sábado, 23 de maio de 2009

O Derviz - Hafiz

Como manifestar a tua gratidão ao Céu que te é propício? Com que tributo? Com que oferenda?

Na rua em que mora o Amor, o esplendor dos reis é pura vaidade. Confessa tua escravidão e orgulha-te de ser escravo.

Àquele que ia tombando e que Deus segura pela mão, dize: - “Que o teu papel seja partilhar as tristezas dos que caíram”.

E tu, Saki, transpõe o limiar de minha porta. Doce mensageiro, liberta-me o coração, por um instante, das tristezas de que o mundo o oprime.

Quantos perigos na estrada real das dignidades e das grandezas! É prudente evitá-la quanto possível.

O pensamento do Sultão só se ocupa de inimigos, conquistas e coroas. O Derviz só pensa na calma da tarde e no plácido refúgio do calênder.

Deixa-me confiar-te um segrêdo: mais vale a paz do que o poder.

Hafiz, não laves o rosto para limpá-lo da poeira que a pobreza tranqüila nêle acumulou: esta poeira vale mais do que o ouro do alquimista.

De "Os gazéis de Hafiz" tradução de Aurelio Buarque de Hollanda
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terça-feira, 19 de maio de 2009

Motivo - Cecília Meireles

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
Não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
– não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
– mais nada.

Cecilia Meireles, "Melhores poemas", Global Editora, 1984 - S.Paulo, Brasil
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segunda-feira, 18 de maio de 2009

A taverna - Hafiz

Homem puro, não censures aquele que ama o vinho: os pecados alheios não serão levados à tua conta.

Cada um colherá o que houver semeado. Não me arrastes ao desespero por causa do meu passado: sabes quem, atrás do véu, será tido por bom ou mau?

Indulgente ou severo para consigo mesmo, cada um procura o Amor. Sinagoga ou mesquita – todo lugar pode ser o Altar do Amor.

Não sou eu o único expulso da casa santa. O próprio Adão, nosso pai, deixou fugir de suas mãos o Éden.

Deve ser doce o jardim do Paraíso; mas – cuidado! – não o confundas com a sombra macia do salgueiro ou a margem da estrada.

Confia pouco em tuas obras. Como podes ler de antemão o que a pena do Criador escreveu para ti?

No último dia, ó Hafiz, mesmo se ainda tiveres a taça na mão, poderás, da taverna, ser levado ao Paraíso.

De "Os gazéis de Hafiz" tradução de Aurelio Buarque de Hollanda
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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Narciso e Goldmund, Herman Hesse

Do capítulo 4:

- Eu... superior... a você - gaguejou Goldmund, com a sensação de que seu corpo inteiro ficara entorpecido.
- Certamente - continuou Narciso - Naturezas como a sua, com percepções fortes e delicadas, guiadas pela alma, os sonhadores, os poetas, os amantes, são quase sempre superiores a nós, homens do espírito. Sua origem é materna. Vocês vivem plenamente; foram dotados da força do amor, da capacidade de sentir. Ao passo que nós, seres da razão, embora freqüentemente pareçamos estar governando e dirigindo vocês, não vivemos plenamente, vivemos numa terra árida. A vocês pertence a plenitude da vida, a seiva das frutas, o jardim do amor, o belo panorama das artes. Seu lar é a terra; o nosso o mundo das idéias. Vocês correm o risco de se afogar no mundo dos sentidos; o nosso risco é de sufocarmos no vácuo. Você é um artista; eu, um pensador; Você dorme no regaço materno; eu acordo no deserto. Para mim brilha o sol; para você, a lua e as estrelas; você sonha com moças; eu, com rapazes...

Do capítulo 19:

Narciso: [...] Somente agora percebo quantos caminhos levam ao conhecimento e que o caminho do espírito não é o único, e talvez nem mesmo o melhor. É o meu caminho, é claro, e vou permanecer nele. Mas vejo que você, no caminho oposto, no caminho dos sentidos, compreendeu o mistério do ser na mesma maneira profunda, e consegue expressá-lo de um modo muito mais convincente do que a maioria dos pensadores é capaz de fazer.
- Agora você compreende - disse Goldmund - porque não posso conceber pensamentos sem imagens?
- Há muito tempo que compreendi. Nosso pensamento é um processo constante de converter coisas em abstrações, um afastamento do sensorial, uma tentativa de construir um mundo puramente espiritual. Ao passo que você atrai para o seu coração o menos permanente, as coisas mais mortais, e mostra o sentido do mundo justamente no que é perecível. Você não desvia o olhar do mundo, você se entrega a ele, e por meio do seu sacrifício, você o eleva às alturas, uma parábola de eternidade. Nós, pensadores, tentamos nos aprozimar de Deus, arrancando do rosto dele a máscara do mundo. Você, ao contrário, aproxima-se dele amando a sua criação e recriando-a. As duas coisas são esforços do homem, e necessariamente imperfeitos, porém a arte é mais inocente.


E concluindo... sempre dos labios de Narciso:

Quando um homem tenta realizar-se por meio das qualidades que a natureza lhe deu, está fazendo a melhor e a única coisa que pode fazer.
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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Mais um pouco de Rumi

Noite após noite, a alma
Em sonhos se dissolve
E a cada sonho, a alma
Abeira-se da forma.

Por que pensar no tempo,
Se és o motor do tempo?

És alma da verdade,
Ó sonho dos meus sonhos.
És forma sublimada,
E mais não sei dizer.

De "A sombra do amado, poemas do Rumi" Marco Lucchesi, Fissus Editora
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No mundo da flor...

Primeira criatura em parceria com Seu Idilio, Felipe Souza, irmão, compositor, poeta pai desses versos genias :)





Em tudo há flores...
Pra quem sabe olhar...
Na dança das cores,
Na vida das dores,
No lacrimejar.

Num mar de rumores,
Em mim guardo amores,
Que cheiram a flores
Só de relembrar

E enquanto andarilho,
Com rosas dou brilho,
E planto jardins,
Só de imaginar.

Orquídeas e lírios,
Cristais de delírio,
Causando estribilhos
No meu declamar.

Num mar violeta,
No cravo, crisântemo,
De tanto que as amo,
Já vejo meu fim.

Em tudo há flores...

E sinto que a vida,
Que é flor margarida,
Foi-me oferecida,
Cheirando a jasmim...

Mas quando não mais,
Quando já em paz,
Onde o corpo jaz,
Vão chorar por mim.

E por mutação,
Quero a condição
De ser girassol,
Ou então, capim...

E por baixo das flores,
Cantando clamores,
Verei suas cores,
Colorindo a mim.

Findando o temor,
Conceito, valor.
No mundo da Flor,
O Amor é sem fim...

Em tudo há flores...
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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Silenciosa - Luanalvorada





Silenciosa

A cada nueva aurora te presentas a mi umbral,
Me bendice tu sonrisa, infanta eterna.
Rozas mi pecho con tus labios de sal,
Soledad de soles en tus dedos: etérea.

Eres el ritmo calmado en mi soñar despierto,
Me introduces a un mundo solo en ti deseado.
Tu vientre me ofrece un corazón en concierto
Abriendo el camino de un nuevo creado.

Preciso aprender que ahí siempre te encuentras,
En el silencio vibrante de cualquier cosa.
Y aunque yo esté ciego y tu brilles impalpable,

Adiestrame a los ruidos en tu jardín inalcanzable,
Muestrame tus cantigas de diosa silenciosa!
Si es que a cada nueva aurora por mi te adentras...


Luanalvorada

a todas as Luas

Louvada lua na alvorada
Resplandecente aliada
Dama doce mestra do sim,
Amada:

Macia madrugada em sentimento orvalhada,
Beleza disfarçada de doçura não humana,

Tens levado meus pesares
Pra as esferas mais sutis,
Amarguras vãs se foram
Em instantes derretidas.

Tens sarado em águas raras
Esta espada enferrujada.

Olho, lente cristalina:
Sai! Confere realidade,
Dentre cílios de pincel
-cuidadosa mente leve-

Entretanto o vaivém
Nunca cessa sua dança...
Só o amor no amor descansa
Feito loto imarcescível,
Desvendando a liberdade
-luminosa vacuidade-
Que sustenta cada ser.
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domingo, 12 de abril de 2009

The Temple of Love

The temple of love is not love itself;
True love is the treasure,
Not the walls about it.
Do not admire the decoration,
But involve yourself in the essence,
The perfume that invades and touches you-
The beginning and the end.
Discovered, this replace all else,
The apparent and the unknowable.
Time and space are slaves to this presence.



- Rumi

From The Love Poems of Rumi by Philip Dunn

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The Privileged Lovers

The moon has become a dancer
at this festival of love.
This dance of light,

This sacred blessing,
This divine love,
beckons us
to a world beyond
only lovers can see
with their eyes of fiery passion.

They are the chosen ones
who have surrendered.
Once they were particles of light
now they are the radiant sun.

They have left behind
the world of deceitful games.
They are the privileged lovers
who create a new world
with their eyes of fiery passion.



From: Love Poems of Rumi - Deepak ChopraTranslated by: Fereydoun Kia

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Love is the cure

Love is the cure,
for your pain will keep giving birth to more pain
until your eyes constantly exhale love
as effortlessly as your body yields its scent.”

Rumi

From Love Poems from God, by Daniel Ladinsky. Copyright © 2002 by Daniel Ladinsky.
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Behind the Scenes

Is it your face
that adorns the garden?

Is it your fragrance
that intoxicates this garden?

Is it your spirit
that has made this brook
a river of wine?



Hundreds have looked for you
and died searching
in this garden
where you hide behind the scenes.



But this pain is not for those
who come as lovers.

You are easy to find here.

You are in the breeze
and in this river of wine.



From: Love Poems of Rumi - Deepak Chopra

Translated by: Fereydoun Kia

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O Amor Romântico

O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o príncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.

do "Livro do Desassossego", Bernardo Soares
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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Transmutação

Quando o grito vira canto
A dor redime em pranto
O chute feito salto
E a lagrima nascente

A ferida vira vulva:
Papoulas jorradas
Generosas e frescas
Nascente dourada

Cada pedra cede o passo
Pr' uma nova flor se abrir

Minha morte prematura
Foi na vida a maior sorte
Pois são poucos aqueles
Loucos que aprenderam a dizer
"Eu nasci foi porque quis"

E se ainda hei de chorar
Cada lagrima será
Meu adubo virginal
Para o brote mais tenaz

Salvador, 28.XI.2008, editado em 09.IV.2009, Santa Teresa, Rio de Janeiro
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O Poço - The Well

The all-important thing about a well is that its water be drawn. The best water is only a potentiality for resfreshment as long as it is not brought up. So too with leaders of mankind: it is all-important that one should drink from the spring of their words and translate them into life.

From the I Ching, hexagram 48, The Well, commentary about the fifth line.
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El centro

Um hombre quiere saberlo, por fin. Se monta en su bicicleta, se va al campo abierto y, lejos de lo habitual, encuentra otro sendero. Ahí no hay indicadores, y así se fia de lo que con sus ojos ve delante de sí, y de lo que su paso puede recorrer. Le impele una cierta alegría de descubrir, y lo que antes era más bien un presentimiento para él, ahora se torna certeza. Pero despues, el sendero termina a orillas de un río ancho, y el hombre baja de su bicicleta. Sabe que si aún quiere seguir más allá, tendrá que dejar en la orilla todo lo que lleva encima. Entonces perderá su terreno firme y será llevado e impulsado por una fuerza que puede más que él, de manera que tendrá que confiarse a ella. Y por eso vacila y retrocede.
Al dirigirse de nuevo hacia su casa, se da cuenta de que sólo sabe poco de las cosas que ayudan, y que le es dificil transmitírselas a otros. Demasiadas veces le ha pasado lo de un hombre que sigue a otra bicicleta, cuyo guardabarros golpetea.
Le grita:
-¡Eh, tú! ¡Tu guardabarros golpetea!
-¿Qué?
-¡Tu guardabarros golpetea!
-¡No te entiendo! –responde el otro-. ¡Mi guardabarros golpetea!
Algo ha ido mal aquí, piensa. Luego pisa el freno y da la vuelta.
Poco después, pregunta a un maestro anciano:
-¿Como haces tú cuando ayudas a otros? Muchas veces vienen a verte personas, pidiendote condejo en asuntos de los que sólo sabes poco. Pero despues se encuentran mejor.
El maestro le dice:
-No depende del saber, si uno se para en el camino, y no quiere seguir adelante. Porque busca seguridad donde se pide valor, y libertad, donde la verdad ya no le deja elección. Y así va dando vueltas. El maestro, sin embargo, resiste al pretexto y a la apariencia. Busca el centro, y allí recogido espera –como uno que extiende las velas ante el viento-, si acaso le alcanza una palabra eficaz. El otro, al acercarse a él, lo encuentra allí donde él mismo tiene que llegar, y la respuesta es para ambos. Ambos son oyentes.
Y aún añade:
-El centro se distingue por su levedad.

Bert Hellinger, "El centro se distingue por su levedad", Herder
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Caminos de Sabiduría - Bert Hellinger

El sabio asiente al mundo tal y como es,
sin temor y sin intenciones.

Está reconciliado con lo efímero
y no tiende más allá de aquello que con la muerte perece.

Su mirada abarca el todo porque está en sintonía,
y únicamente interviene donde la corriente de la vida lo exige.

Sabe distinguir si va o no va
porque no guarda intenciones.

La sabiduría es el fruto de una larga disciplina y del ejercicio,
pero quien la tiene, la tiene sin esfuerzo.

La sabiduría está siempre en camino,
y alcanza su meta no porque busca
-crece-.

Bert Hellinger, "El centro se distignue por su levedad", Herder
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terça-feira, 7 de abril de 2009

Un sueño...

"¿Qué es la vida? Un frensí
¿Qué es la vida? Una ilusión;
una sombra, una ficción
y el mayor bien es pequeño.
¡Que toda la vida es sueño
y los sueños, sueños son!"

Monólogo de Segismundo en La vida es sueño, de Pedro Calderón de la Barca

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sexta-feira, 3 de abril de 2009

O que faz o ser humano ser humano?



Dentre todos os seres vivos, o ser humano é aquele que têm consciência de estar vivo.

Ao estar consciente de estar vivo (e consciente), o ser humano dispõe da capacidade de se investigar, de descobrir seu próprio mundo. Após um primeiro susto, este ser começa a se acostumar com a espantosa idéia de que o próprio mundo adquire significado só depois de passar através de um potente filtro – a lente de visão ofuscada pela poeira dos condicionamentos do passado. É nesse ponto que se descobre co-criador da própria realidade.

Todo ser humano é criador, o artista é aquele que cria com consciência de ser criador.

O compromisso e a responsabilidade do artista são as de cultivar as próprias faculdades e de polir os próprios instrumentos ao fim de revelar a realidade em sua essência puramente luminosa, livre de interpretações ofuscadas e enganosas.

O olho que percebe tanto absorve quanto confere realidade; conscientizando-se disto, o artista transmuta a realidade mais simples em formas de expressão da beleza pura do ser natural.

Através da própria arte todo artista transmite para o resto da humanidade a própria visão – já não só criativa, mas também criadora - relembrando todos os seres conscientes da capacidade inata de ser co-criadores responsáveis dessa realidade.

text by muma, clip by Luana Gomes, showing her pictures (see 'beloved artist' links to the right) being exposed at "Espaço Cultural Miti Móveis" Rua Monte Alegre 1370, Perdizes, São Paulo

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sábado, 28 de fevereiro de 2009

ENROCANDO de Emilio Rodrigué

- Enrocamos?- perguntei com a minha habitual insegurança.
- Bom, mas tu és a Torre, Angel Ark-. Mais do que um dizer, este era um gambito que I. N. Fab usava como nossa contra-senha. E tenha razão de ser, eu sou como as torres no jogo do xadrez, peças que correm com movimento longo e sempre ao longo e ao largo. I. N. Fab é um Rei nato. Não sei jogar xadrez, mas se diz que o Rey, mesmo que faça pouco, gravita no coração de toda estratégia. I. N. Fab tenha a nervura de peça clave em qualquer jogo cósmico.
A técnica do enroque traz seu momento de vertigem. Angustia no arco da troca. Com o enroque um se torna o pensamento do outro. Bom, não é totalmente bem assim, mas um passa a ser aquela parte do outro que faz muito, muito tempo enunciava palavras. As palavras eram sons correndo como as contas de um colar. “Torre”, “Rei”, “Conta”, “Colar”, eram palavras.
O que acabo de dizer foi desnecessário porque tudo o que esta pagina consigna já vá ao enroque. Vocês estão lendo minha mente como um livro aberto. Não sei bem se sofro por me ver exposto assim ou pelo que vou relatar.
- Diz-me, Fab, as pessoas anteriormente buscavam o enroque?-. Fiz essa pergunta quando I. N. Fab girava perto de mim.
- Sim –falou Fab com nostalgia- muitos foram os que alguma vez tentaram sair de seu próprio corpo.
Produziu-se o silencio, uma pausa pudica. Viola-se e se é violado quando no uso do enroque tanto de um passa a ser do outro. Como luva feita de pele humana.
Fab rodava à minha direita quando dei fim ao silencio:
- Como era o homem anteriormente, I. N. Fab?
Ele começou a falar e as suas “palavras” foram linhas de força que construíam e davam sentido ao meu pensamento.
- Os homens anteriormente foram três.
- Três homens?
- Sim, o primeiro homem vivia em um território pequeno não maior do que uma milha quadrada. Conhecia cada pedra, cada passo, cada signo em seu domínio. O centro dessa milha estava no palmo de suas mãos. E que mãos eram essas! Colossos de mãos curiosas, todo queriam abarcar e triturar. Tomavam uma erva...
- Uma erva?
- Sim, tomavam uma erva do mato e a esfarelavam para tirar o seu cheiro. Comiam com avidez as plantas, os animais, as maravilhas.
O discurso de Fab chegava límpido e preciso. Creia no que ele estava me dizendo. O relato desses homens era simples, como uma fabula. Me afastei ao perguntar:
- Porquê uma milha?
- Uma milha quadrada.
- Sim, porque? Pelo abarcar de uma pedra jogada no ar?-, aventurei.
- Não, Angel Ark, os primeiros homens não tenham essa força de propulsão.
- E então como?
- Não sei –respondeu Fab- e acho que não importa. Uma milha é uma paisagem, um campo de batalha, o dilatado império de uma criança.
- Sem duvida, tenham filhos-, falei e essa frase passou ao enroque antes de eu ter pensado ela. Nem sequer consegui tirar dela aquele tom interrogante.
- Sim, Angel Ark, os primeiros homens eram férteis, seus filhos nasciam sem travas, cresciam na terra, e às vezes morriam ainda pequenos.
- E os que vieram depois?- perguntei para mudar de tema.
- Os homens da segunda fase?
- Sim.
- Sim, eles também eram férteis –continuou Fab- mas já tenha se produzido uma mudança. Agora a criação em si era importante; o filho, como criatura, menos. Esses homens inventaram as idéias: Qual é a relação entre a ferida e a febre? Entre a oração e a cura? Entre o beija-flor e o arco íris? Entre a vida e a morte?
- E tu sabes tudo isso?
- Consta-me que essas coisas foram sabidas. Do meu jeito, eu sei; assim como tu sabes, da forma em que tu lembras.
E o estranho é que Fab tem razão. Como é possível que eu saiba como é o mercúrio se eu nunca o tenho visto? Como eu sei que tenho essa textura?
Hei de seguir perguntando:
- E o território de segundo homem?
Fab demorou em me responder.
- O perímetro interno dele era a duvida. Lá fora, o seu nicho chegava ao sol e os seus planetas e uma cortina de nada preta onde via as estrelas.
Fab se abre em espiral aberta, para logo bramar na distancia:
- E que fanáticos da duvida eles eram!
- Porque? –diz- Como assim?
A voz dele ao se aproximar foi outra vez didática. Eu fiz me oco para ouvir-lo. Ele estava bem perto.
- Cada idéia que inventavam dava luz a duas duvidas. Toda a sua razão de ser era pôr tudo em interrogação. Até duvidavam da segurança que dá o próprio duvidar. François Villon foi o poeta da duvida. Ele dizia:

Somente confio nas coisas incertas,
Só as coisas claras estão para mim lamacentas,
Não abrigo duvidas a não ser na incerteza
E se por azar o conhecimento busco,
Quando ganho tudo, perdendo me retiro.

Sim, eu já tenha ouvido essa poesia. De imediato compreendi que tudo aquilo que tenha sido dito não era novo para mim. Conhecia cada palavra, a menor inflexão. Era como um conto de fadas sovado por mil repetições. Fab sempre me contava o mesmo conto e eu –por assim dizer- o sabia de cor. Mas sempre tenha a novidade do eco.
Erguei-me devagar numa pergunta:
- Queres me falar das constantes?
Não me responde e então suplico:
- Fab, quero saber, preciso saber.
- Sim, deves!-, Fab foi tão seco e tão final que quase quebra o enroque. Nossos corpos eram dois vértices e nada no meio.
- Então chegou o momento?
- Sim, Angel, chegou.
Tenho entendido que o desespero domado chama-se sabedoria. Assim sendo, o sofrimento de I. N. Fab tenha todo o saber de uma nostalgia sem fim e infinitamente sabia.
A abertura de Fab foi num tom leve:
- Os segundos homens descobriram que tudo tem um contorno e um limite. Isso foi visível nas coisas muito grandes e nas muito pequenininhas. A imaginação, Angel, é um campo com uma linha de cal.
- Sim?
- Sim, esses homens descobriram a linha de cal do tempo.
Não consigo palpar essas analogias. Vocês, que lêem minha mente, o sabem muito bem. Já faz tempo que deixamos atrás o ultimo andaime de lógica simbólica. Só enrocando podemos pensar pensamentos que tenham a enganosa forma de algo que se diz. Toda analogia é um labirinto e o homem, antes de ser símio, foi um roedor de túneis. Nosso pensamento é cego para com a historia, porque já não temos historia, somos uma atualidade. Preciso saber. Não só o que já aconteceu, mas também o que vai acontecer, sim, o que vai acontecer. Tenteando falei:
- Mas temos superado a velocidade da luz.
- Sim.
- Então, o que foi uma limitação já não o é mais.
- Isso não é bem assim. É verdade que vamos a uma velocidade além da luz, mas com tudo não temos superado a linha de cal.
- Mas, a poli-ubiqüidade...- não consegui continuar porque Fab continuou. Falava-me com paciência, tomando a minha incompreensão com respeito:
- Quando digo que a limitação, que a linha de cal ainda persiste, falo das renuncias que foram necessárias para superar as constantes. Para vencer-lhe à luz perdemos o que os homens chamam de “este lugar”, “este sitio”. O preço da nossa ubiqüidade é a falta de localidade. Tu bem sabes, Angel, que a nossa ubiquação, quando enrocamos, é um artefato de ilusão.
Será atavismo, mas senti um desarraigo medular. Uma saudade pelo solo e pela chumbada da gravidade. É possível a saudade por vértebras que nunca se tiveram?
Retomei o fio quando Fab falou da segunda constante. Na verdade, essa constante, num principio só foi entrevista, já que os segundos homens não compreenderam que os homens estavam em frente a uma constante que na verdade não era física.
- E como é essa constante?
- Essa constante diz que não se pode registrar um fato sem transformar-lo. Os olhos são reativos que mordem aquilo que enxergam.
- E como chama-se essa constante?
- Lei Geral da Transferência.
- É por isso que enrocamos?
- Sim, foi a segunda constante que tivemos que superar e também cobrou seu preço. Para conseguir uma objetividade transparente, que não impressione o objeto, temos nos despojado do dom e da oportunidade de estar com alguém. Já ninguém impressiona ninguém. Temos perdido a copula, o casal, a família. Está extinta em nós a motivação do beijo.
De repente conjurei uma imagem esquecida:
- Então é verdade que ao gritar dilata-se a pupila do outro?
- Sim.
- E isso foi uma perda?
- E pra quem perguntar?- respondeu Fab, com um quê de impaciência. – Imagino que sim, que num certo sentido foi uma perda. Para ganhar objetividade livre temos perdidos nossa pele sendo acariciada, nossas mãos que palpam, perdemos o tímpano e sua ressonância pela música. Não temos, tal como dissestes, a intuição de ver nos olhos dos outros.
Na ilusão da nossa geografia Fab retirou-se. Fiquei no breu, completamente só.
- E porque queres falar comigo?- perguntei para fora.
A resposta demorou em chegar:
- Angel, estamos em frente a uma nova constante e tem chegado o momento de tomar uma decisão:
- E qual é?
Fab deu a impressão de duvidar:
- Os terceiros homens, nós temos a opção de ser imortais, podemos viver para sempre. Viver sem sempre, sem nunca, sem não obstante. Viver infinitamente.
Percebi sua tristeza.
“Porque estás tão triste”, quis gritar com a minha voz sem tímpano. Mas não consegui fazer-lo. Perguntei, pelo contrario:
- E qual é a linha de cal?
- Para ser imortal, o homem deve renunciar a ser um. Todos seremos um.
Sobreveio o silencio.
Quando Fab voltou a falar, percebi que o silencio tenha-se dilatado:
Continuava sozinho na escuridão, só sem resposta, sem vértebras, sem copula, só com a tenaz identidade do mercúrio.
- Rey?
- Torre –me respondeu. – Torre Regia.
- Fab, por que me tentas?
- Todos seremos um, Angel.
- Não, I. N. Fab, a resposta é não.
- Porque Angel Ark?
- Não posso, Fab. Não sei bem porque, mas não posso renunciar-me. Por soberbia, talvez, ou por temperança. Quiçá precise morrer.
O espaço continuava escuro e senti a etérea qualidade do que não tem limites. Logo escutei sua voz que dizia com pena profética:
- Sim, eu o sabia, Lúcifer.
E comecei a cair.
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

It's been a long, long, long time

Una etapa más que se abre, una vuelta más alrededor de un eje inimaginable, un:

Vire essa folha do livro
e se esqueça de mim


dicho entre un yo y el otro, uno va, el otro se queda.. y como nos gusta - a nosotros estos yoes que ya casi no entran en esta anonima habitación en forma de estudio-oficina - entretenernos a recordar los pasados, los difuntos, hibernados o criogenicamente congelados, como nos gusta tanto recogernos y ponernos a releer los diarios, un poco para reorganizar el orden, cronologico o gerarquico de los yoes, un poco por romanticismo y al final tambien para poder salir en frente más leves, que los yoes más maduros se queden reposados en si mismos mirando desde alguna cumbre mediana-mente alta los nuevos yoecitos troteantes y vivaces empezar un nuevo diario, un nuevo ciclo.

Y la verdad que lo que nos dió unas ganas joviales de ponerme a teclear de nuevo aqui son toda una serie de frases, versos dejados a medias; o a veces intentos medio-abandonados de colocar "en el papel" un inicio, un intento, de manifiesto, de enunciado poetico, una forma como otra de traducir algo que brota del pecho pidiendo a los gritos espacio y reconocimiento, en esa lucha tremendamente bella de salir de la idiotés (del griego idios = proprio, como me enseña mi amigohermano Carlo Coppadoro, del cual hablaré sin duda más demoradamente tarde o temprano) para un escenario publico de algun tipo; otras veces son anotaciones más practicas, hexagramas del I-Ching o recetas de la cocina familiar..


Les deseo una buena lectura, pero ojo, como me enseño recientemente Herman Hesse en El lobo estepario, esto es..

~~SOLO PARA LOCOS~~

y más aun, de la misma fuente: "así como la locura, en un grado superior, es el principio de toda ciencia, así es la esquizofrenia el principio de todo arte, de toda fantasia"

y para encerrar, Nieztsche nos trae un pedacito de sabiduria desde los labios del conciencioso en su Zaratustra: "(prefiero) ser loco por mi proprio criterio, que sabio segun la opinión de los otros"




Y así empieza este viajecito, con un moleskine negro de unos.. quizás de unos 10x15 cm.. Trabado en el aeropuerto de Lisbona sin saber que en unas horas más viviria mi primer experiencia de expatrio de Brasil de vuelta para Europa.. clandestino.. por no tener papel


lisbon's airport 22.IV.07
stranded in between . borders failing
to define they only . confine


(da "gli insegnamenti di Don Juan" nelle parole del propio Don Juan Matus:)
"Rivolgi a te stesso questa domanda: questa strada ha un cuore? Le strade sono tutte uguali: non portano da nessuna parte. [...] Se ce l'ha é la strada giusta, se non ce l'ha, é inutile. [...] Una rende il viaggio felice e finché la seguirai sarete una sola cosa. L'altra ti fará maledire la vita. Una ti fa sentire forte, l'altra ti indebolisce."


Ricetta Biscotti della Mamma (ceduta gentilmente dalla vicina inglese chiamata Linda ai tempi del nostro arrivo in Italia a Taino)

1 bicchiere olio (2 tazzine di caffé)
1 uovo
4 cucchiai farina (pieni)
1 uovo
4 cucchiai farina
mezza bustina lievito
forno 10' - 200 C
rende 12 biscottini


(fragmento livre e solto, sem data:)
Minha querida obsessão, deixa que eu fale de como eu quero me desfazer de ti; deixa que falando disso eu possa prolongar um pouco mais a escravidão que nos une.


(essa que segue foi composta numa sessão noturna numa maravilhosa casinha nas Rodas, no Vale do Capão, no interior da Bahia, enquanto aguardava silenciôso o pão crecer e ficar cozido no forno a lenha. Esse pequeno paragrafo não teria nacido se não fosse pelo ensinamento recebido nessa estadia diamantina na companhia de seres luminosos como Marília, João e Leandro Mendes, Aline Moraes e Gil Camara, a eles essas palavras foram e continuam sendo dedicadas com muito amor. Tudo isso aconteceu no mes das festas Juninas de 2007)

Já me perdi varias vezes em cantos desencantados e frios, desprezando companhias e melodias - nesse eterno aprendizado é muito importante poder ter a conciência de ter alcançado mais um degrau.
Os desafios maiores são aprender a viver com si mesmo e lidar com as saudades.
Também é complicado aprender a verdade sem orgulhos. Saber respeitar o ritmo dos outros, amando sem ansiedades nem pena, adorando o silêncio e admirando a imensidão das mais pequenas coisas. Alimentar os sonhos com pequenas conquistas, aprender a rezar.
Sem esquecer que os pensamentos se alimentam principalmente de si mesmos para moldear a realidade. É por isso que se fala que os pensamentos podem ser ouvidos, pra alertar sobre a força dos mesmos. Peço não perder nunca a lucidez pra ser consciente dos meus pensamentos.
Também peço saber receber elogios sem me apegar nem me acostumar com eles; deixar de fazer coisas esperando aplausos. Alimentar o culto do amor e da beleza verdadeiros sabendo primeiro reconhecer-los e valorizar-los, para depois defender-los.
Que a virtude se baseie na capacidade de esquecer de nos mesmos e não na celebração das nossa conquistas.
Aprender a retificar os propios erros logo depois deles acontecerem, pra não deixar eles envelhecer e virarem calos inoportunos.
Reconhecer o propio tempo individualsem se impossessar dele, deixar correr cada instante com a maior leveza, sem rancores por eles serem tão impalpáveis.




"Boi da Montanha" (João Mendes) (com as devidas desculpas pelas agressões ortograficas e metricas e coisa e tal)

É preciso galgar lentamente
o misterioso espaço das estrelas
fazer silenciosamente o caminho dos bichos
andar de ninho a ninho

Subir sozinho o cume da montanha
e nela transformar-se en rocha
e dela derivar-se em agua

sobre ela pairar
como o cheiro de todas as orquideas

Diferentes cores
Surpreendentes seres
Tantas e tão variadas cores

É preciso deslizar
sobre o ventre macio
do amor da mulher amada

Como quem degusta os sabores dos frutos
O mel da flor
Petalas pintadas
Abelhas coloridas pingando propolis
em suas proprias feridas

Dar repouso ao pouso
Dar o arco à frecha
Dar silêncio ao som
Dar o toque ao tato

Amar o fato de ser só
de ser somente o ato
de ter a paz dos vegetais
dos voos silenciosos dos passaros
do sono sereno de uma criança dormindo.


(seguem alguns aforismas e pequenas perolas de outro grande mestre, Roberto Mendes)

O aplauso do improviso é devido ao susto que o publico toma: o improviso é o risco.

Quando a pedra cae no lago gera uma serie de ondas formadas por cristas e valas; na crista encontra-se o tempo forte da canção - a cabeça; na vala encontra-se a sombra no silêncio. A sincope fica entre a crista e a vala; é alí que acontece o canto.

Cultura é regra de comportamento, arte é ecepção.



(e voltando a nós...)

A negação do outro é afirmação das proprias faltas,
A afirmação dos outros é o reconhecimento dos proprios erros.


Vamos nos presentear com a possibilidade do erro:
Oportunidade constante de perder a mentira.


Para una musa porteña:
(Buenos Aires, noviembre 2007)


Flores de soles
Transcenden tus siete cuerpos
Tus gestos llegan de otros tiempos

De la roca de mis tristezas aisladas
Brotaste como si fuera lo más natural
Tus ojos me persiguen en sueños
¡Qué vertigo al mirarte derecho en los ojos!
Tu piel sonrojada, lisa e inaudita
Me deja sin posibilidades...

Solo queda lo que se abre más allá,
Lo impensable - incalculable -
Liberatoria sorpesa



San Telmo, un domingo:

Lo que te encuentra
no se puede buscar


Y aqui termina la moleskine, aunque no terminan sus paginas.. la necesidad del cambio pidió nuevos formatos, paginas más amplias.. y así llegó a mis manos un cuaderno amarillo marca Rivadavia - 50 hojas lisas, promete la capa - tamaño de la mitad de un A4 más o menos


22.XI - parabens Roberto! - dia de la musica, siempre en Buenos Aires
No sería suficiente una orquesta de nubes y rayos para celebrar tu belleza. Yo solo puedo prostrarme e inventar palavras en mi eterna tentativa de livrar una ode hacia el cielo cantando y componiendo para tu luz, tus lineas sueltas e afinadas.


25.XI
La musica no pára. Figuras suspendidas a la altura de las lamparas que cuelgan del techo, brillando, tan quietas, destacandose contra los cuerpos flutuantes, los lienzos los acompañan cariñosos

28.XI
- yo no quisiera que -
Me cago en la razon y sus verdictos
las previsiones fieles y sus delictos
~~ o ~~
I think I just realized something really important. I think I finally had a shocking proof about how unstable . untrustable . unreliable my feelings are. The country? The city? It doesn't matter which one I choose things will eventually change and I will find myself on a completely opposite stand to that I had just before. So I have to choose. I have to choose who I am. Reality is there waiting for me to take a perspective fir it is both ugly and beautiful, both charming and discomforting. No matter what decision I take in my life I need to be ready to clunch my teeth against the adversity I will set for myself as well as those that life will put in front of me. Just choose. Remember there is no easy choice available. Maybe one of the things that pisses you off is that life will no longer be easy. Easy life is over my friend.
--------
Problem: do I choose following my head or my heart? reason or feeling? thought or desire? doesn't thought lead to paradox? doesn't desire lead to other desires, often quite contradictory to the previous ones?
--------
Si pudiera cantar (como si) (sin que) nadie me estubiera escuchando
como sin darme cuenta, como dormido
entonces de repente el canto sería bueno
no tendira preocupaciones ni distracciones
sería canto desnudo canto descanso
talvez destripado o desafinado
pero ya no ese canto desafinado y desilusionado
preocupado con oídos y cabezas y letras y quejidos
sino el canto puro, el que no se inventa ni se intenta
canto descubierta y, por eso, ni mio ni tuyo
sino de todo lo que vibra y vuela
y danza y grita y salta

(nueva pagina, mismo dia pero de noche en el "Clasica y moderna" deliciosamente acompañado por un duo muy simpatico piano-bandoneon y, sentada a mi mesa, por una voluptuosa mendocina etiquetada de malbec, tiñendo mi alma de matices rubies:)

Y si al cantar tan secreto de mi voz
te asomaras sin que nadie te viera
solo así te cantaria corazon
todo lo que soy capaz (de decirte)
y si cantando empezaras a bailar
te llevaria a unas alturas increibles
y entonces sí serías musa, danzarina
y yo poeta deslizando por tu piel;
--
Te pido por favor, no le cuentes a nadie
lo que viste o escuchaste.
No es mi voz ni mi guitarra que escuchaste
fue el dolor de un corazon abandonado
confesando su dolor solo por saberse sólo en su confesión
desesperada.
No me juzgues por favor no se de nada
yo solo soy otro instrumento inanimado
que toma voz y luz al verse sacudir
por las penas de un tocador inexistente.


30.XI - de vuelta a Salvador, Bahia
Si la oscuridad nos envuelve
La luz nos sacude por dentro;
Si la luz nos ciega
La sombra nos cura y nos devuelve lo sentidos.

La evolución, el camino, puede ser una respuesta
Al cerrarse el circulo el movimiento no para
Y nace la espiral
Que da sentido a la repetición,
por la adquisición de perspectiva,
De profundidad.
Busca tus pares y los verás


8.XII
De la funda del yo al meñique del sol
cruzaremos mil flores, pisaremos en luz

15.XII
Será que la busqueda alguna vez se encuentra a si misma para vestirse de gala e ir a teatro?

17.XII
E quindi? cosa facciamo? suoniamo?
-----
Com que olhos olhar esse mundo, com que olhos?
beijar
pintar
-----
Se eu podesse me ver com os teus olhos..

18.XII
El vacío es mi religión el salto mas allá
Mi desesperada canción la fluctuación inmóvil

23.XII
No incansavel tumulto dos dias
Teu silêncio trouze a noite em plena luz
Descortinou a distância mais macía
entre o turbilhão do mundo e nós dois

5.I.2008 - recuerden.. cuidado,
SOLO PARA LOCOS:

No se esperen nada de mi, porque nada vendrá.
Cada dia se celebra el fin de ese dia, cada instante que se muere ya pasó.
De la misma forma, o no, cada pedazo de expresión que se haya resignado a ser empaquetado, atraves de una formatación forzosa, para enfin recibir aprobación o rechazo en este mundo (este mundo adonde se consume con total indiferencia hacia lo que es la esfera de la concepción) no merece ninguna atención porque sería nada más que el dedo apuntando, y ya no la luna.
No se esperen nada de mi, porque la continuidad que ustedes ven en mi (y a al cual atribuyen la paternidad de cierta obra) es totalmente engañosa. Nada continuo y constante existe en mi sino la consciencia de lo discontinuo y lo inconstante que es mi existencia.

03.II - para uma musa inglesa, mais preta do que eu, na baía de todos os santos
Palavras, geralmente, não são boas comigo, mas, hoje, elas foram boas com você; eu só teve a sorte de ouvir-las brotando, sorriso tras silaba tras reflexo de caramelo e ambar, tudo isso deslizando defatigadamente pelos teus ombros, ondas que me enchem do temor mais delicioso que já cheguei a imaginar.
Hoje, você passeia por mim e eu moro, num cautiverio doce - que cultivo secretamente - no estreito espaço dos ohlares - estreito para quem sonha com o infinito tactil e silencioso dos amantes; amanhã, morarás em mim, brotando lembranças semi-amargas de toques fugidíos e timidos -

(aqui el cuaderno entra en la zona de apuntes sobre la vipassana, el satipatthana sutta y otras palavras budicas.. temporada que va desde el final de marzo al final de mayo 2008)


25.IV

I may die without knowing why I lived but I will not live without knowing how to die.

From the vipassana dipani:
all beings are the owners of their own deeds; and every deed, both moral and immoral, committed by oneself is one's own property and follows one throughout the whole long course of life.

Words of the Buddha:
attano idanti sakam (one's own is one's own property)

attadipa viharata, attasarana anaññasarana
(dwell majing yourself an island, yourself your refuge, not anyone else your refuge)

Mere suffering exists, no sufferer is found;
the deed is, but no doer of the deed is there;
nibbana is, but not the man that enters it;
the path is, but no traveller on it is seen. (Vism. XVI)

No Rio de Janeiro, depois do retiro:
A vida é um exercisio constante do coração
agua viva pulmão vagalume floresta farol
é uma onda sem beira nem cais
é balanço ameaça continua parece que cai mas não vai
pois retorna, dá voltas em volta do alvo à procura de si
o exercicio é lembrar do que se ama e de quem se quer bem
- que o amor que se deu nunca mais se perdeu


de "A terceira margem do rio" de Guimarães Rosa:
Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água, que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro - o rio.

de "A paixão segundo G.H." de Clarice Lispector:
Criar sim, mentir não. Criar não é imaginação, é correr o grande risco de se ter a realidade.

sem data, sempre no Rio, em Santa Teresa, mês de junho 2008:
Slip into the dinamicity of time never stopping.
Stay alert and catch your tendency to comform, to comfort and cristallize with a static idea about yourself, your world, your art.
A constant discovery going out on a quest to discover itself through its world
~~~o~~~
Teu rosto é um palco de magías e saudades
dançando incansáveis em rodas de luz
maravilha estupor sorpresa constante
(desceu em mim um calor no peito)
~~~o~~~
se eu tivesse as chaves do tempo
moldaria o espaço para te acolher melhor
~~~o~~~
clara leve bianca pele rara
ke arabesco faz teu rosto
traz esse teu sorriso eterno
pros meus dias de mutante
de inventor alucinado

(aqui termina el cuadernito Rivadavia y con el una fase más termina y a la vez arranca otra... pero por hoy nos quedaremos con lo que nos queda, gracias y hasta pronto - click
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